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domingo, 12 de dezembro de 2010

Passagem

Esperando na fila há dias, já não se sente mais dor,
Sede ou fome.
O silêncio fúnebre e a lembrança de seus pecados,
Te consome.
-
Aquela canção murmurada torna a ecoar
É o barco se aproximando.
Todos sabem a regra que rege o lugar:
"Um viajante a bordo e a Morte remando"
-
Aos poucos chega a sua vez
E você implora por piedade
Mas tudo isso, é só o início da eternidade
-
A travessia custa-lhe os olhos da cara
Na outra margem, todos que pedem a mão, tomam-lhe o braço
Numa terra cheia de todos que queriam tudo,
O perdão é excasso

domingo, 8 de agosto de 2010

Parábola

Um casal de amigos caminha,
Na cidade agitada.
Em meio ao som das buzinas e fabricas,
Não se escuta nada.
-
Diante da única área verde,
Da cidade cinzenta.
A qual ninguém repara,
O homem pára...
-
Escuta o que seria um Grilo,
Cantarolando no chão.
A moça se espanta!
Com tamanha audição.
-
O homem discorda,
Tira uma pequena moeda do bolso
E lança-a para cima.
-
Quando ela cai,
Mesmo com o barulho intenso da cidade,
A multidão pára.
E na pequena moeda, repara.
-
“Qual é o seu Tesouro?”

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Cantiga

A corda estica até arrebentar
O mar desaba em um só pranto
Tudo em volta parece esfriar
Os Homens de Pedra entoam seu canto
-
Avalanche de coincidências
Maré de azar
O choro com mais freqüência
Não volta a cessar
-
Ódio, sangue, amaldiçoar
Ofegar, tremer, gritar
Violência domiciliar
-
Seis, cinco, quatro
Agora só restam três
Três, dois, um, conte tudo outra vez

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Entre Amigos

Nas sarjetas metafísicas é onde
Com o coração dilacerado é como
Ter sido posto de lado é porque
“Seria pedir muito?” é o que ele não pára de repetir
-
Como qualquer bêbado ele cai
Toma mais um gole de suas lágrimas
“Seria pedir muito?” ele torna a dizer
-
Provavelmente sim
-
Tudo que ele queria era que ela não o decepcionasse
“Seria pedir muito?”
-
Sim, é o que as pessoas mais gostam de fazer
-
“Não pode ser
Tem que ser mentira
Se soubesse quanto é importante pra mim, mudaria”
-
Mas você não pode pedir
Ela deve descobrir sozinha
Caso contrário só seria porque você quer
-
“E quanto tempo mais eu tenho que sofrer?
Quanto tempo isso vai levar?”
-
Pode ser hoje
Ou pode demorar um pouco
Ou Nunca
-
Nas sarjetas metafísicas é onde
Com o coração dilacerado é como
Ter sido posto de lado é porque
“Seria pedir muito?” é o que ele não pára de repetir

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Matrioshka

Uma caixa preta e você dentro
-
Sem janelas
Sem portas
Sem luz
Sem saída
-
Fim da linha
-
Ninguém te vê
Ninguém te ouve
Ninguém te quer
Ninguém se importa
-
Sentado em um dos cantos da caixa
-
Sentindo frio
Sentindo nojo
Sentindo as lágrimas
Sentindo dor
-
A caixa preta e você dentro
A caixa preta e a caixa preta dentro
Outra caixa
Mais uma
Infinitas
E você pequeno
-
No fim da linha
E ninguém se importa
Com a sua dor

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Escuridão

Vazio
Uma mente a vagar
Vazio
Estática no mesmo lugar
Vazio
Pior que solidão
Vazio
O Blasé dos Blasés
-
Vazio
Sem comentários
Vazio
A Indiferença dos sanguinários
Vazio
Vácuo sideral
Vazio
É mais forte do que eu
-
Só anda porque sente que tem de andar
Em um vazio infinito,
Sem menção de parar
-
Vazio

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Os Homens de Pedra

Nascidos em berços distintos
São criados pela sociedade
Homens de sangue frio
Endurecidos pela idade
-
Seu lema é não se deixar abalar
Nunca ser emocional
-
Ou pelo menos não transparecer tal
-
Só ajuda se lhe for útil
Ignora a dor própria e alheia
-
O grupo está se formando
Venha também fazer parte
Do exercito dos fortes, dos que estão no comando
-
De longe um som impressiona
Entoado com extremo vigor
-
É o canto que os impulsiona
-
Corra, corra, é a atitude mais racional
Fuja, fuja, não ouse ser emocional
-
Mas não são tão duros afinal
Apenas têm medo de tornassem sal


quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sem Título

O vento frio ruge
A chuva gélida corre

-
O carro passa indiferente
-

Um vulto negro aparece
O homem fraco estremesse
É conduzido inerte até o beco
Chora soluçante quieto
O cano da arma chega mais perto
A conversa é encerrada com vulto em negação
O choro agora toma som
O barulho seco da arma ecoa no ar
Ninguém parece escutar

-
Outro carro indiferente
-

O corpo seco e molhado
Congelado, sem coração
Sai do beco o assassino
Mais um na multidão

E todos os outros seguem suas vidas
Secos, molhados pela tormenta
Frios, sem coração

-
Mais um carro indiferente.